A Rússia criticou nesta terça-feira (1), pela primeira vez, o plano de paz sugerido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para a Ucrânia e advertiu que, a partir de hoje, não pode aceitá-lo por não incluir as principais “preocupações” do Kremlin.
“Levamos muito a sério os modelos e as soluções propostas pelos americanos, mas também não podemos aceitar tudo isso da forma como está”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergey Ryabkov, à revista International Life.
Ryabkov enfatizou que, até o momento, “tudo o que existe é uma tentativa de encontrar algum tipo de plano que primeiro possibilite um cessar-fogo, como imaginado pelos americanos”.
“E então passaremos a outros tipos de modelos e planos nos quais, até onde podemos julgar, não há lugar hoje para nossa principal demanda, que é a solução dos problemas ligados às causas originais do conflito. Isso é algo que está completamente ausente e que precisa ser superado”, afirmou.
O vice-ministro também lamentou que Moscou não tenha ouvido da boca de Trump “sinais para Kiev sobre o fim da guerra”.
O diplomata lembrou à revista ligada ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia que Moscou tem um conjunto de prioridades, incluindo algumas que surgiram durante as negociações com os EUA na capital saudita, Riad.
O ditador russo, Vladimir Putin, propôs na semana passada a substituição do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por uma gestão interina externa para realizar eleições na Ucrânia e, por fim, “começar a negociar um acordo de paz”.
“Um governo interino poderia ser introduzido na Ucrânia sob os auspícios da ONU, dos EUA, dos países europeus e de outros parceiros”, sugeriu na ocasião.
Putin rejeitou a trégua de 30 dias proposta pelos EUA e pela Ucrânia e só aceitou o fim dos ataques à infraestrutura do setor de energia inimigo.
Trump insistiu nesta segunda-feira (31) que quer que o ditador russo “chegue a um acordo” para acabar com a guerra e reiterou que está pronto para impor sanções a Moscou.
“Acho que ele fará isso. Não quero ter que impor tarifas secundárias sobre o petróleo deles”, acrescentou o líder republicano, que lembrou que já fez isso com a Venezuela, impondo sanções aos compradores de petróleo do país sul-americano.
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