O primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez faz atualmente uma viagem pela África para tentar encontrar soluções para o problema.
Sánchez começou nesta terça-feira (27) uma viagem de três dias ao Senegal, Gâmbia e Mauritânia para tentar encontrar soluções à questão da imigração ilegal na Espanha. Cada vez mais migrantes partem destes três países em direção ao arquipélago espanhol das Canárias, que fica a aproximadamente 100 km do continente africano.
Somente em 2024, quase 23 mil pessoas entraram no país até agosto – um aumento anual de 126%. Há seis meses, Sánchez foi a Nouakchott, na Mauritânia, e anunciou € 180 milhões de ajuda (R$ 1,1 bilhão).
O presidente do governo regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, que se encontrou com Sánchez na sexta-feira (23), afirmou que havia "mais de 150 mil migrantes" prontos para embarcar na Mauritânia em direção ao arquipélago.
Ele fez um apelo à União Europeia para que assuma suas responsabilidades, “para que as Canárias não tenham de suportar toda a pressão migratória da Europa”, porque estes migrantes “chegam à Europa, à Espanha, e não apenas às Ilhas Canárias”.
Tendência em aumento
As Canárias e, de um modo geral, a Espanha, são muitas vezes apenas uma escala no caminho para outros países europeus, principalmente a França.
Os últimos números do Ministério do Interior espanhol falam por si. Entre 1° de janeiro e 15 de agosto deste ano, chegaram às Canárias 22.304 migrantes, contra 9.864 no mesmo período do ano passado, um aumento de 126%. Para a Espanha como um todo, o aumento é de 66,2% (de 18.745 para 31.155).
A tendência deve se acentuar ainda mais entre agora e o final do ano, devido à esperada melhora das condições de navegação nesta zona do Atlântico.
O número recorde de 39.910 chegadas registrado no ano passado poderá ser quebrado, confirmando que as Canárias se tornaram a principal rota de imigração para a Espanha, apesar da travessia no Atlântico ser extremamente perigosa e causar todos os anos a morte de milhares de pessoas.
Mas as Canárias não são a única região do sul de Espanha afetada por este fenômeno. A pequena cidade de Ceuta, um enclave espanhol na costa norte do Marrocos, também registrou um aumento acentuado nas chegadas nas últimas semanas.
Ceuta é uma das duas únicas fronteiras terrestres da UE com o continente africano – a outra é em Melilla, outro território espanhol mais a leste.
Migrantes menores desacompanhados
Nestas regiões, o principal problema são os migrantes menores que chegam sozinhos, conhecidos na Espanha como Menores Estrangeiros Não Acompanhados (Mena). A situação destes menores tem grandes implicações para a política interna do país. Enquanto os migrantes adultos estão sob a jurisdição financeira do Estado central, os menores de 18 anos são responsabilidade exclusiva das regiões.
Como este número aumentou, as regiões espanholas localizadas na linha da frente estão completamente sobrecarregadas pela explosão do número de migrantes menores que têm de cuidar.
Nas Ilhas Canárias, o governo regional tem atualmente que atender às necessidades de 5.100 menores estrangeiros, enquanto a capacidade de seus centros de acolhimento é de apenas duas mil pessoas. A situação é semelhante em Ceuta.
Para resolver este problema, o governo espanhol tentou que o Parlamento votasse em julho uma alteração à lei de imigração, a fim de dar ao governo central o direito de distribuir menores estrangeiros por todas as regiões do país.
Mas o Partido Popular (direita), o Vox (extrema direita) e o partido independentista catalão de Carles Puigdemont, que defendem uma política mais dura contra a imigração ilegal, impediram qualquer discussão sobre o texto da lei.
Em meio a esta situação, o governo das Ilhas Canárias se queixa de abandono.
Na sexta-feira, Clavijo obteve de Sánchez a renovação para este ano de uma ajuda estatal de € 50 milhões (R$ 306 milhões), igual à recebida em 2022 e 2023, mas longe dos € 150 milhões (R$ 919 milhões) que diz ter gasto desde o início do ano.
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